Grito dos Excluídos protesta contra deslocamentos para Copa — Rede Brasil Atual

São Paulo – A usina hidrelétrica de Belo Monte, as mudanças no Código Florestal, o assassinato de camponeses, o deslocamento de populações pobres para obras da Copa e da Olimpíada: os movimentos sociais que realizam a 17ª edição do Grito dos Excluídos veem motivos de sobra para sair às ruas. Para os organizadores, o Dia da Independência é, novamente, o momento de refletir sobre os rumos do país.

Ari Alberti, integrante da coordenação nacional do evento, acredita que o Grito dos Excluídos tem ajudado a mudar a maneira como se pensa a semana pátria no Brasil. “Se a gente ficar calado, com certeza as mudanças não virão. Temos de avançar em nossa democracia”, afirma. “Não podemos ficar apenas na democracia representativa, até porque ela pouco nos representa. Precisamos chegar à democracia participativa.”

Neste ano, protestos marcam o 7 de Setembro em 25 estados e no Distrito Federal – apenas o Acre não terá marchas em nenhuma cidade. Como se trata de uma atividade descentralizada, que ocorre em muitos municípios e sempre com organização autônoma, é difícil contabilizar quantas pessoas participaram no último ano, e ainda mais difícil fazer projeções de quantos locais irão realizar algum tipo de movimentação. A programação completa só deve ser divulgada às vésperas da data.

Neste ano, o tema do Grito dos Excluídos é “Pela vida grita a terra. Por direitos, todos nós!”, uma alusão à Campanha da Fraternidade, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Na edição de 2011, a Igreja Católica brasileira teve como foco as mudanças climáticas e a maneira como impactam nas sociedades empobrecidas economicamente.

“Os direitos estão na Constituição. Queremos cumpri-los”, avalia Alberti. Ele lamenta em especial a postura do Congresso Nacional, que tem mostrado disposição para negociar aumento de salário de parlamentares, para discutir o Código Florestal, de interesse de alguns deputados e senadores, e para debater a nomeação para cargos públicos, mas não abre o mesmo espaço para aprovar outros temas importantes para a sociedade. “Precisa de uma ventilada, de uma limpeza. Queremos construir um projeto popular, um projeto de sociedade. O Congresso parece um balcão de negócios. É triste chegar a esse ponto.”

Para o organizador do Grito dos Excluídos, a velha mídia tampouco ajuda a fomentar na sociedade o desejo por uma participação maior na vida democrática do país. Diferentemente do que ocorre fora do país, com atos massivos no Oriente Médio, na Europa e em nações da América Latina, Alberti acredita que por aqui o clima é pacato.

“Dá impressão, se você olhar à primeira vista, que está tudo bem no Brasil”, pondera. A leitura dos organizadores é de que o momento atual não está servindo à superação dos velhos problemas, e segue a alimentar um país rachado entre o moderno e o arcaico.

Em uma referência direta à bandeira do governo Dilma Rousseff, a superação da miséria, os movimentos sociais indicam, na carta a respeito do ato, que a ascensão de classe não é suficiente se seguir havendo disparidades insuperáveis. “Com tamanha desigualdade, sem ter feito nenhuma reforma estrutural de base, como a situação muda tão rapidamente? Alguma coisa está sendo enganosa”, destaca Alberti.

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