Documentário e debate sobre moradia no Centro de São Paulo — Rede Brasil Atual

Na Ocupação Mauá, no Centro de São Paulo, um documentário seguido de debate discute desafios para garantir o direito à moradia em São Paulo neste domingo (28). Localizado no bairro da Luz, o local é propício para o evento, especialmente em um contexto no qual a prefeitura da capital insiste em implantar uma série de medidas na região, incluindo desapropriações promovidas pela iniciativa privada, sem ouvir moradores e comerciantes.

O documentário “Leva”, dirigido por Luiza Marques, foi realizado em parceria pela Preta Portê Filmes e Canal Futura. Conta a história de moradores da ocupação e revela a organização de siglas que se unem para transformar os espaços abandonados em habitáveis. A estruturação do edifício pelos movimentos de luta por moradia reflete-se na redescoberta das pessoas como indivíduos por meio do coletivo.

Confira trechos do documentário “Leva”, de Luiza Marques:

Leva Teaser from Preta Portê Filmes on Vimeo.

Depois da exibição, movimentos sociais, especialistas e sociedade poderão conversar, trocar ideias e experiências sobre o tema. A relatora da ONU para questões de moradia, Raquel Rolnik, está entre os convidados para este momento. Ela, aliás, foi consultora do documentário. Outros participantes convidados são ligados à Defensoria Pública, ao Instituto Pólis, ao Movimento Nacional da População de Rua e ao Centro Gaspar Garcia.

No mesmo espaço, as fotógrafas Camila de Oliveira e Paula Ribas promovem exposição de imagens que funciona como uma instalação artística, com a qual os participantes podem interagir e conhecer lutas recentes em busca do direito à moradia na capital. Haverá a projeção de algumas imagens do fotojornalista Anderson Barbosa mostrando 10 anos de ocupações do movimento.

Promovem a ação um conjunto de entidades, como a Associação de Moradores e Amigos da Santa Ifigênia (AmoALuz), a Frente de Luta pela Moradia (FLM), a União dos Movimentos de

Moradia Popular (UNMP), a Central de Movimentos Populares (CMP), além das realizadoras do filme.

Na avaliação dos ativistas que organizam o ato, a paisagem do Centro combina, atualmente, armazéns, lojas, prédios de escritórios ou de apartamentos vazios. Parte desse conjunto está deteriorado, quase em ruínas, mas são testemunhos da história da cidade.

Desvalorizados perante a lógica do mercado, os espaços semiabandonados abrigam o que sobrou da centralidade anterior da região. O núcleo financeiro da capital paulista migrou para a região da avenida Paulista e, mais recentemente, para as avenidas Faria Lima e, depois, Luís Carlos Berrini. Quem não teve renda para acompanhar as transferências sobrevive ao abandono. Segundo os movimentos sociais de moradia, na área central, há 45 mil imóveis abandonados, sem função social.

As ocupações promovidas pelos movimentos tentam pressionar o poder público a acelerar processos de desapropriação, além de lutar para que a habitação de interesse social tenha prioridade. Atualmente há cinco prédios ocupados no centro coordenados pela Frente de Luta por Moradia (FLM). Em 2010, o número de participantes chegou a 3,8 mil pessoas em quatro edifícios no centro.

Exposição

Anderson Barbosa é fotojornalista autodidata. Aos 37 anos, vive em São Paulo há 12. Atualmente dedica-se ao projeto “Vidas Sem Teto – A Arquitetura da Exclusão”, quando passou a viver durante seis anos em um prédio ocupado no centro de São Paulo, coordenado pelo Movimento Sem Teto do Centro (MSTC). Atualmente, ele colabora com a Agência Fotoarena, em coberturas de cotidiano e envolvendo conflitos sociais.

Camila de Oliveira, de 28 anos, é jornalista, fotógrafa e documentarista. Com olhar voltado a temas culturais e aos movimentos sociais, veio para São Paulo em 2010. Caiçara da cidade de Ubatuba, chegou a expor seu trabalho “invisível muro de todos nós”, no qual destacava a omissão da sociedade e do poder público em relação à moradia. Ela atualmente desenvolve um documentário sobre o tema.

Também jornalista, Paula Ribas é professora de comunicação e fotógrafa. Desde 1995 trabalha ainda com teatro, televisão e cinema, tendo lecionado em artes no Senac-SP Escola Wolf Maia e Incenna. Atualmente, volta-se a trabalhos autorais na fotografia, além de integrar a ONG Amoaluz.

 

Exibição do documentário “Leva” e encontro para discutir os desafios de São Paulo

para a garantia do direito à moradia.

Domingo (28) – às 16h

Edifício Mauá – Rua Mauá, 340 – Luz – São Paulo – SP

viaDocumentário e debate sobre moradia no Centro de São Paulo — Rede Brasil Atual.

Anúncios
Esse post foi publicado em A questão é fundiária!, Direito à Cidade, Movimentos Sociais. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s